Muito além de corpo e comida

Quando alguém sofre com um transtorno alimentar, é comum que o olhar se concentre naquilo que aparece: o corpo, o comer, o número na balança. O sintoma é o que temos de mais concreto, e muitas vezes urgente. Mas isso é uma parte de cada história de vida.

É como a ponta de um iceberg: acima da superfície estão os comportamentos alimentares, a relação patológica com o corpo. Já nas profundezas imersas no oceano temos história, vínculos, vulnerabilidade emocional, traumas, identidade. Nada disso é simples.

Por isso, o cuidado não pode se limitar àquilo que aparece. Não se trata de escolher entre trabalhar o comportamento alimentar ou investigar as camadas mais profundas da história subjetiva. Precisamos fazer ambos.

Pessoas são muito mais que a relação com corpo e comida.
O cuidado também deve ser.

Eduarda Lima é psicóloga especialista em Transtornos Alimentares e membro da ASTRALBR. Possui formação pela UFRJ e pelo Programa de Transtornos Alimentares (Ambulim) da USP.

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