A importância do acompanhamento psicológico para cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica pode ser uma ferramenta importante no tratamento da obesidade grave, especialmente quando outras estratégias já foram tentadas sem sucesso. Mas o processo de transformação que ela envolve vai muito além da redução do estômago: é uma mudança que atravessa o corpo, o comportamento e, sobretudo, o modo como a pessoa se relaciona consigo mesma.

A cirurgia e o corpo que muda

De acordo com as novas definições publicadas pela The Lancet Diabetes & Endocrinology (2025), a obesidade deve ser entendida não apenas como excesso de peso, mas como uma condição clínica complexa, que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, a cirurgia não encerra um problema — ela inicia uma nova etapa de cuidado. A perda de peso significativa pode vir acompanhada de mudanças na autoimagem, medos em relação à comida e, em alguns casos, até do surgimento de transtornos alimentares ou do reaparecimento de sintomas antigos.

Quando o corpo emagrece, mas o sofrimento permanece

Pesquisas e diretrizes internacionais, como as da American Psychiatric Association (2023), mostram que transtornos alimentares podem aparecer após a cirurgia bariátrica. Isso acontece porque a cirurgia não transforma as emoções, crenças e conflitos que antes estavam ligados à comida.

Por isso, o acompanhamento psicológico antes da cirurgia ajuda a avaliar a relação do paciente com o corpo e com a comida, identificando fatores emocionais que podem interferir no processo pós-operatório. Já no pós-operatório, o suporte contínuo é fundamental para:

  • adaptar-se à nova rotina alimentar e corporal
  • prevenir o desenvolvimento de transtornos alimentares
  • fortalecer a autoestima e a percepção corporal realista
  • sustentar o processo de mudança a longo prazo

As problemáticas alimentares não se resumem ao que ou quanto se come — mas a como e por que se come. E a psicoterapia é o espaço onde o paciente pode compreender essa relação e reconstruí-la de modo mais saudável.

Cuidar da mente também é cuidar do corpo

Mais do que preparar para a cirurgia, o acompanhamento psicológico é um convite à escuta: do corpo, das emoções e da história que cada pessoa carrega. É um cuidado que humaniza o tratamento e dá sentido à mudança.

Se você está considerando a cirurgia bariátrica — ou já passou por ela — lembre-se: a psicoterapia não é um complemento, mas uma parte essencial do processo de cuidado.


Se esse texto fez sentido para você, compartilhe ou deixe seu comentário — sua experiência pode inspirar outras pessoas no caminho da recuperação.

Até breve 🌿

Publicado por Eduarda Lima

Psicóloga especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade | @psicologaeduardalima

Deixe um comentário