Bulimia Nervosa: características e tratamento

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e as Diretrizes da American Psychiatric Association (2023), a bulimia é caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios inadequados, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, jejuns prolongados ou exercícios físicos excessivos.

Esses episódios ocorrem, em média, pelo menos uma vez por semana durante três meses consecutivos, e geralmente estão acompanhados por sentimentos intensos de vergonha, culpa e medo de ganhar peso.

O ciclo da bulimia tende a seguir um padrão repetitivo que reforça o sofrimento psíquico e contribui para o adoecimento físico e emocional:
restrição alimentar → compulsão → purgação → culpa e nova restrição.


Consequências físicas e emocionais

A bulimia não afeta apenas o corpo. Ela toca o emocional, a identidade e a forma de se relacionar com o mundo. Entre as consequências mais comuns estão:

  • Flutuações de peso e desequilíbrios metabólicos
  • Desidratação e alterações eletrolíticas, que podem comprometer o ritmo cardíaco
  • Problemas gastrointestinais e desgaste dentário devido ao vômito frequente
  • Sintomas como ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento social

No entanto, mais importante que os sintomas é compreender o sofrimento que sustenta o sintoma. Susie Orbach (1978) também nos lembra que a relação com a comida e com o corpo é, muitas vezes, um reflexo da pressão social e da tentativa de encontrar valor em uma cultura que ainda mede autoestima pelo tamanho do corpo.


O tratamento da bulimia nervosa

A bulimia não é uma questão de força de vontade ou disciplina, mas uma condição séria que requer tratamento multidisciplinar especializado, envolvendo psicoterapia, acompanhamento nutricional e, quando necessário, suporte médico e psiquiátrico.

Os objetivos do tratamento incluem:

  • Reduzir os episódios de compulsão e purgação
  • Restaurar um padrão alimentar regular e não restritivo
  • Diminuir a preocupação excessiva com peso e forma corporal
  • Fortalecer a autoestima e a reconexão com o corpo
  • Tratar comorbidades

Romper o silêncio: o primeiro passo para a recuperação

A recuperação da bulimia é possível — e começa com o reconhecimento de que há sofrimento. Procurar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.

O acolhimento psicológico, o apoio familiar e o acompanhamento clínico adequado podem restaurar não apenas o equilíbrio alimentar, mas também o prazer e a liberdade para viver uma vida de sentido.

Se você se identifica com esse tema, saiba: é possível se recuperar, com cuidado, tempo e escuta. Você não está sozinha nesse caminho.

Até breve 🌿

Publicado por Eduarda Lima

Psicóloga especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade | @psicologaeduardalima

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