O que é um Transtorno Alimentar?

Os transtornos alimentares (TA) são condições sérias de saúde mental que afetam a forma como uma pessoa se relaciona com a comida, o corpo e as emoções. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e as diretrizes da American Psychiatric Association (2023), essas condições envolvem padrões persistentes de comportamento alimentar e preocupações com peso e imagem corporal que causam sofrimento psicológico e prejuízo na vida social, emocional e física.

A estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria é que mais de 70 milhões de pessoas no mundo enfrentem algum tipo de transtorno alimentar — sendo a maioria mulheres, especialmente na adolescência e início da vida adulta. Mas é importante lembrar: qualquer pessoa, de qualquer idade, gênero, peso ou classe social, pode desenvolver um transtorno alimentar.


Entendendo os principais tipos de transtornos alimentares

1. Anorexia nervosa
Caracterizada pela restrição alimentar severa, medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal. Mesmo com baixo peso, a pessoa se vê “acima do ideal” e sente necessidade constante de controle sobre o corpo. A recusa alimentar expressa um sofrimento que, muitas vezes, não encontra palavras.

2. Bulimia nervosa
Envolve episódios de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou exercícios físicos intensos. É marcada por culpa, vergonha e sensação de perda de controle, compondo um ciclo de restrição, compulsão e purgação.

3. Transtorno da compulsão alimentar
Caracteriza-se por episódios recorrentes de comer em grandes quantidades, acompanhados de sensação de descontrole e culpa, sem comportamentos compensatórios. Frequentemente está associado a ansiedade, baixa autoestima e histórico de dietas restritivas.

Outros quadros, como o transtorno alimentar evitativo/restritivo, também são reconhecidos, mostrando que os transtornos alimentares vão muito além da busca estética — envolvem sofrimentos emocionais complexos.


Sinais de alerta: quando buscar ajuda

Identificar um transtorno alimentar pode ser difícil, especialmente porque muitas pessoas tentam esconder seus comportamentos. Alguns sinais de alerta são:

  • Mudanças significativas no peso em curto período;
  • Preocupação constante com comida, calorias, dietas ou espelho
  • Comer escondido, evitar refeições em público ou recusar alimentos
  • Vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou exercícios excessivos
  • Alterações no humor, isolamento, ansiedade ou depressão
  • Fadiga, tonturas, problemas gastrointestinais e mudanças menstruais

Importante: não é possível identificar um transtorno alimentar apenas pela aparência.
Pessoas de qualquer peso podem estar sofrendo com um TA — e toda forma de sofrimento merece escuta e cuidado.


O tratamento e o caminho da recuperação

Os transtornos alimentares têm tratamento, mas exigem acompanhamento especializado e interdisciplinar, com psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e médicos. Segundo as diretrizes da APA (2023), os principais objetivos do tratamento são:

  • restaurar padrões alimentares regulares e seguros
  • reconstruir uma relação saudável com o corpo e com a comida
  • trabalhar as causas emocionais e simbólicas do sintoma
  • tratar comorbidades como ansiedade e depressão

A recuperação é um processo gradual, que envolve compreender o sintoma, dar espaço às emoções e resgatar a confiança no corpo e na própria vida. Com ajuda adequada, é possível se recuperar — e reencontrar o prazer de existir em um corpo que sente, vive e se alimenta sem culpa.

Até breve 🌿

Publicado por Eduarda Lima

Psicóloga especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade | @psicologaeduardalima

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